Onde estás tu, brilho dos meus olhos?
Não atentas que sem ti escureço-me por inteiro?
A vagar apalpando paredes em meus atos incertos
Escondido no fundo do meu corpo-cativeiro
O desvanecer de ti levou-me o doce do dia
Por que me deixastes, maldita luminescência?
Largastes em mim lama, limo e lixo
Neste gradil ósseo meu que arde em miséria
O que sobrou de mim não hesita em mutilar-se
Devora-me as unhas, as peles, os dentes e os pelos
Sobrando mágoa, remorso e agonia
Não haverá outra forma de vida nesta morada
Que brilhe como outrora rutilara em meu peito
A alegria serena de um pinto no lixo
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