quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Das relatividades

Lembro-me de quando fingia que havia um universo de possibilidades.
Nunca houveram mais do que meia dúzia de possibilidades de ser pleno... Ao menos foi o que me contaram. Malditos! É um absurdo tentar ser pleno, feliz ou realizado; mas a minha sina é tentar.

Vou ficando para trás, vendo minha imagem se fixar em fotografias antigas, fingindo enquanto olho não ver meu orgulho se reduzir a alguns quilos de carne apodrecendo sob o sol.

E minha razão retruca: porém, alheio a isso, deixa-te sentir a grandeza das coisas naturais. Quando nadares procura imaginar-te como pura água oscilando no oceano. Encrava tuas unhas na terra e imagina-te montanha imóvel a meditar; imagina-te gigante, pois tua vida não te pertence. Passivos estamos sob o jugo da existência, que como uma pira colossal queima usando-nos como comburente.

Eu não existo, eu sou existido. Se eu controlasse minha existência não teria medo da morte, existiria à exaustão. Mas não. Na verdade, como sou mais uma palha a queimar na grande fogueira das vidas no Universo, não sei quanto tempo irei durar. Não há direito, poder nem autonomia nessa vida. Em ser existido não há sujeito da ação em minha frase. Mas, ainda assim, um não sei o quê me instiga a inconformar.
Só agora me dei conta de que a Eternidade é uma lenda. Putz!