Agora, percorrendo essas estradas, volto a sentir aquela velha dor amarga da vida que passa. Não posso fazer nada diante deste dilema. Entendo que todos nós compartilhamos de destinos semelhantes, mas tanto sofrimento de existir deveria ter um propósito imediato. Seria bom se descobríssemos que somos de fato eternos. Finalmente deixaríamos essa onda passar por nós, e enfrentaríamos novos dilemas, formas diferentes de encarar este Universo tão imenso e vazio.
As lembranças dessa vida passageira se somando a tantas outras vidas que não se somam me causam uma angústia abominável. O desejo de inexistir se soma ao de ser eterno; a única forma que me inconforma é essa breve existência, onde nos vandalizamos em neuroses estafantes. Será bem melhor a vida dos loucos? Perdidos em seus delírios dinâmicos, vivendo aventuras imaginárias, penetrando em lembranças e pensamentos desconexos e, mesmo assim, sem questionar-se sobre a relevância ou coerência dos fatos? Literalmente sonhando (ou tendo pesadelos) acordados. É de uma asfixia, de um desespero enorme esse "despedir-se da vida". E, de repente, já não encontro um consolo que me conforte. Não trabalho corretamente; de que importa? Nem durmo direito. Apenas distraio-me, atento aos que passam, aos que pensam, aos que correm, aos que trabalham, aos que gozam. Percebo-me a buscar uma saída para o meu fabuloso plano de tornar-me imortal. E esta se torna mais uma atividade dentre as tantas outras atividades que nos distraem de sofrermos com nossa morbida certeza futura. Porém ainda não pensei em proeza maior: tornar o mundo imortal. Afinal, qual ser se arriscaria a ficar só diante da eternidade para ver o depois, e depois, e depois das coisas?
E assim percebemos o despropósito desse correr, desse lutar. Resta-nos calar a mente, e viver (morrer) com alguma dignidade, distraindo-nos com coisas corriqueiras ou projetos de uma vida inteira, enquanto nos franzem o rosto, caem-nos os cabelos, matam-nos os amores e desafetos, até que esse fenômeno se complete em nossas vidas de modo tão implacável quanto um sono... talvez nos descansando para um despertar inigualavelmente maior.
As lembranças dessa vida passageira se somando a tantas outras vidas que não se somam me causam uma angústia abominável. O desejo de inexistir se soma ao de ser eterno; a única forma que me inconforma é essa breve existência, onde nos vandalizamos em neuroses estafantes. Será bem melhor a vida dos loucos? Perdidos em seus delírios dinâmicos, vivendo aventuras imaginárias, penetrando em lembranças e pensamentos desconexos e, mesmo assim, sem questionar-se sobre a relevância ou coerência dos fatos? Literalmente sonhando (ou tendo pesadelos) acordados. É de uma asfixia, de um desespero enorme esse "despedir-se da vida". E, de repente, já não encontro um consolo que me conforte. Não trabalho corretamente; de que importa? Nem durmo direito. Apenas distraio-me, atento aos que passam, aos que pensam, aos que correm, aos que trabalham, aos que gozam. Percebo-me a buscar uma saída para o meu fabuloso plano de tornar-me imortal. E esta se torna mais uma atividade dentre as tantas outras atividades que nos distraem de sofrermos com nossa morbida certeza futura. Porém ainda não pensei em proeza maior: tornar o mundo imortal. Afinal, qual ser se arriscaria a ficar só diante da eternidade para ver o depois, e depois, e depois das coisas?
E assim percebemos o despropósito desse correr, desse lutar. Resta-nos calar a mente, e viver (morrer) com alguma dignidade, distraindo-nos com coisas corriqueiras ou projetos de uma vida inteira, enquanto nos franzem o rosto, caem-nos os cabelos, matam-nos os amores e desafetos, até que esse fenômeno se complete em nossas vidas de modo tão implacável quanto um sono... talvez nos descansando para um despertar inigualavelmente maior.
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